Durante os primeiros doze anos de carreira, apesar das promoções, do aumento de responsabilidade e da renda crescente, eu permanecia financeiramente exposto. Meu capital profissional crescia. Minha estrutura financeira pessoal não.
Do Sucesso Corporativo à Soberania Pessoal
A jornada que deu origem à TIMES8
Forjado na Necessidade
Não nasci em meio à riqueza, nem mesmo à estabilidade. Minha infância foi marcada por incerteza. Muitas vezes, não sabíamos se o aluguel do mês seguinte poderia ser pago.
O Brasil dos anos 80 ampliava esse cenário. A hiperinflação corroía o poder de compra em ritmo acelerado. Os preços mudavam mais rápido do que os salários conseguiam acompanhar. A poupança desaparecia. O dinheiro deixava de ser reserva de valor e se tornava uma corrida contra o tempo. Minhas primeiras lições sobre finanças vieram dessa realidade: observar como estruturas econômicas podem se tornar frágeis quando seus fundamentos se rompem.
Em meio a essa instabilidade, meus pais me ancoraram em dois pilares que nenhuma circunstância externa poderia retirar: princípios e educação. Eles se tornaram meu ponto de referência em um ambiente volátil.
Aos quinze anos, ingressei em um colégio técnico público no curso de mecânica industrial. Precisava de uma profissão rapidamente. Ali eu descobriria que engenharia não seria meu caminho, mas a disciplina analítica daquele ambiente despertou algo diferente: uma fascinação por números, lógica e pensamento estruturado. Essa inclinação para análise e questionamento mais tarde moldaria tanto minha carreira corporativa quanto os fundamentos do meu método.
Aos vinte anos, mudei de direção e ingressei no curso de Relações Internacionais. Durante as primeiras férias acadêmicas, trabalhei em um restaurante nos Estados Unidos para aprender inglês e ampliar minha visão de mundo. Dois meses após retornar, perdi meu pai, e com ele a frágil estabilidade que sua renda proporcionava. Já não podia arcar com a mensalidade da universidade. Ao mesmo tempo, havia conquistado minha primeira oportunidade corporativa: um estágio na Bosch.
Para iniciar o estágio, eu precisava do comprovante de matrícula.
Para renovar a matrícula, eu precisava da renda do estágio.
Esse paradoxo me levou a uma batalha judicial que durou meses, apenas para continuar estudando. Foi meu primeiro confronto com a rigidez institucional. Ali aprendi algo que carrego até hoje: progresso raramente é linear. Ele exige compreender sistemas, navegar restrições e ampliar suas opções mesmo quando os recursos são limitados.
Sucesso Corporativo, Paradoxo Financeiro
Minha entrada no mundo corporativo não foi movida por ambição nem por um plano de carreira. Foi uma resposta à necessidade. Essa urgência moldou minha disciplina, meu senso de responsabilidade e a disposição de assumir desafios desde cedo.
O que começou na Bosch, em 2003, evoluiu para uma carreira de mais de vinte anos em três continentes. Liderei projetos na África do Sul em equipes multiculturais, retornei ao Brasil para assumir posições de gestão e, anos depois, fui expatriado para Dubai como Head de Supply Chain para África e Oriente Médio, à frente de equipes em diferentes mercados e culturas.
No papel, parecia uma trajetória de crescimento consistente.
Na prática, um paradoxo começava a se revelar.
Como muitos profissionais de alta performance, concentrei toda a minha energia em desempenho e progressão na carreira. Otimizava operações, entregava resultados e formava equipes. Mas não possuía uma estratégia clara para transformar renda em patrimônio ou responsabilidade profissional em soberania pessoal.
Na infância, aprendi a administrar recursos com cuidado e evitar dívidas. Mas disciplina, por si só, não é uma estratégia. Um salário estável tampouco constrói liberdade.
O ponto de inflexão veio quando percebi algo essencial: sucesso profissional e independência financeira não evoluem em paralelo por padrão. Sem uma estratégia clara, a carreira acelera enquanto as finanças permanecem estagnadas.
Ponto de Inflexão
Construindo o Método
Substituí decisões reativas por pensamento estruturado. Sinais de curto prazo deram lugar a execução disciplinada. Em vez de perseguir movimentos de mercado, concentrei-me em um conjunto de ações consistentes que se acumulam ao longo do tempo.
Foi nesse período que o Leeway Method™ começou a ganhar forma. Não apenas como teoria, mas como um método prático para a construção de patrimônio, desenhado para funcionar dentro da realidade de uma carreira corporativa exigente.
Seu fundamento repousa em três princípios:
- Valor: possuir ativos com fundamentos sólidos e relevância de longo prazo.
- Alocação: alocar capital de forma consistente, independente do ruído do mercado.
- Tempo: permitir que a capitalização composta opere sem interrupções.
À medida que minha carreira avançava, apliquei esses princípios sem desvios. Testei-os durante quedas e recuperações de mercado. Refinei-os em diferentes moedas, países e ambientes regulatórios. O desempenho profissional permanecia prioridade, enquanto o patrimônio crescia em paralelo.
Em 2020, quando os mercados globais colapsaram, permaneci fiel aos fundamentos. Sem pânico. Sem decisões impulsivas. O capital foi alocado conforme planejado. A volatilidade deixou de ser uma ameaça e passou a trabalhar a meu favor.
Os resultados não surgiram de forma imediata. Foram construídos ao longo de oito anos de desenho deliberado, execução disciplinada e refinamento contínuo.
O Leeway Method™ começou com estudo, mas amadureceu na prática. Foi testado em mercados reais, através de diferentes moedas e jurisdições, enquanto eu mantinha plena responsabilidade corporativa.
Os Dois Pilares
O óbvio raramente parece óbvio no início. Durante anos desenvolvi duas disciplinas em paralelo: finanças pessoais e liderança corporativa. À primeira vista pareciam caminhos distintos. Com o tempo tornou-se claro que eram expressões do mesmo princípio estratégico.
Essa integração não foi uma decisão criativa. Foi estrutural. O mesmo raciocínio que fortalecia minha liderança também refinava minhas decisões de investimento e reforçava minha alocação de capital no longo prazo.
Minha carreira tornou-se o motor que financiava a construção de patrimônio. Pensamento estratégico e execução disciplinada passaram a se traduzir diretamente em portfólios mais sólidos e progresso financeiro consistente.
Dessa convergência nasceram os dois pilares da TIMES8:
Soberania Financeira para converter renda em patrimônio que cresce além do salário e sustenta liberdade para além da vida corporativa.
Carreira e Liderança para multiplicar resultados por meio de equipes autônomas, posicionamento estratégico e influência de longo prazo.
Quando esses pilares operam juntos, não apenas somam valor. Eles o multiplicam. A carreira gera capital. O capital amplia escolhas. E juntos, aceleram o caminho rumo à soberania pessoal.
Líderes que desenvolvem autonomia em suas equipes conquistam mais do que resultados operacionais. Eles recuperam tempo. Com tempo vem perspectiva, e a capacidade de desenhar o futuro com intenção.
A TIMES8 nasce de uma integração simples: carreira gera capital, capital amplia escolhas, escolhas constroem soberania pessoal.
Finalmente, Opcionalidade
Após anos de construção intencional, alcancei algo que vai além da estabilidade: a capacidade de escolher meu caminho sem que a pressão financeira dite a decisão.
Quando essa pressão cedeu, a pergunta deixou de ser “o que preciso fazer?” e passou a ser “o que realmente quero construir?”. Com essa mudança vieram clareza e a compreensão de que segurança é apenas o ponto de partida.
O verdadeiro objetivo é a opcionalidade: a capacidade de decidir a própria trajetória intencionalmente.
O que começou como sobrevivência transformou-se em estrutura. Essa estrutura criou liberdade. E foi dessa liberdade que nasceu a TIMES8, desenhada para ajudar outros profissionais a construir sua própria arquitetura de opcionalidade.
Rodrigo Lavrador é executivo global de Supply Chain e fundador da TIMES8, com mais de 20 anos de experiência internacional, incluindo 14 anos liderando equipes multiculturais de alta performance na América Latina, África e Oriente Médio.
Construiu sua trajetória em multinacionais de destaque nos setores automotivo, tecnologia, bens de consumo, fragrâncias e HVAC — entre elas Robert Bosch, Lenovo, Avon, Genomma Lab, Givaudan e Daikin — conduzindo operações complexas em mercados dinâmicos em constante transformação.
Ao longo dessa trajetória, Rodrigo identificou a interseção estratégica entre carreira e capital pessoal. Dessa compreensão nasceram dois frameworks proprietários: o Leeway Method™, voltado à transformação de renda em patrimônio e soberania financeira, e o Lumena Method™, dedicado a desenvolver líderes que multiplicam resultados ao formar equipes autônomas e ampliar sua capacidade de impacto.
Juntos, esses métodos formam os dois pilares da TIMES8, integrando carreira e capital em uma estratégia de crescimento, soberania e opcionalidade.